carregando…
carregando…
Internato
Cuidados paliativos, gestão e redes do SUS, medicina legal e a preparação para a prova de residência e a vida de R1.
Baseado no conhecimento clínico e normativo canônico: escada analgésica da OMS (Cancer Pain Relief, 1986; guia da OMS de 2018), diretriz ESMO de dor oncológica (Fallon e cols., 2018), princípios de opioides (Portenoy e Ahmed, 2014), protocolo SPIKES (Baile e cols., 2000), OSCE (Harden e cols., 1975; AMEE Guide 81), ciência do aprendizado (Cepeda e cols., 2006; Roediger e Karpicke, 2006), eventos adversos e disclosure (Brennan e cols., 1991; Gallagher e cols., 2003), fadiga (Dawson e Reid, 1997) e burnout (Maslach e Leiter, 2016), além da legislação brasileira (CF/1988, Leis 8.080/1990, 8.142/1990, 6.932/1981, 12.711/2012, Código Civil e Código Penal) e das normas do sistema de residência. Datas, pesos e editais de residência variam por ano e por instituição — o resumo apresenta panorama e intervalos; confira sempre o edital vigente.
internato nas DCN (30% da carga) · escolha orientada a objetivo de carreira · contrato de aprendizagem com o preceptor · externato · intercâmbio: convênio, visto, seguro e escopo do estudante
Nas Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina, o internato deve corresponder a 30% da carga horária total do curso, organizado em estágio clínico e estágio cirúrgico; dentro dele, a faculdade reserva uma parcela de rodízios eletivos, em que o estudante escolhe a área. Eletivo é tempo de escolha orientada: o erro mais caro do 6º ano é tratá-lo como descanso ou ocupá-lo apenas com a especialidade alvo da residência. A lógica correta é de portfólio: um eletivo reforça o núcleo que cai em prova (emergência, UTI, medicina interna, cuidados paliativos), outro aprofunda a especialidade alvo, outro desenvolve habilidade deficitária (procedimentos, comunicação, gestão) e, quando possível, um quarto projeta a carreira (eletivo internacional, gestão, pesquisa).
| Objetivo | Eletivo de melhor retorno | O que perguntar ao preceptor |
|---|---|---|
| Reforçar o núcleo da prova de residência | emergência, UTI, medicina interna, paliativos | volume de casos, autonomia do intern, rotina de discussões de caso |
| Aprofundar a especialidade alvo | eletivo específico com preceptor da área | se há carta de recomendação ao fim, contato com o programa, procedimentos |
| Fechar lacuna de habilidade | eletivo de habilidades/procedimentos ou de comunicação | simulação disponível, número de procedimentos supervisionados |
| Explorar carreira e sistema | gestão em saúde, saúde coletiva, eletivo internacional | acesso à gestão, trabalho em rede, redes de contato |
Eletivo rende quando tem meta mensurável desde o primeiro dia. A ferramenta é o contrato de aprendizagem com o preceptor: 3 a 5 objetivos escritos (procedimentos a dominar, temas a apresentar, pacientes a acompanhar), a forma de avaliação e a data de balanço. O segundo eixo é a presença ativa: chegar antes, apresentar os próprios pacientes, propor discussões, ser o primeiro a puxar exames — a carta de recomendação futura nasce do que o preceptor observou, não do que foi pedido por mensagem. O terceiro eixo é o registro: anotar o que fez (casos, procedimentos, atividades de ensino) alimenta o Lattes, a prova de títulos e a entrevista de residência.
Externato é a realização de rodízio em serviço fora da própria instituição (hospital público, privado ou de outra universidade), sempre com formalização pela faculdade (matrícula, termo de compromisso, preceptor responsável e avaliação) — externato informal sem supervisão acadêmica não vira histórico e pode configurar prática irregular. O eletivo internacional exige planejamento de 6 a 12 meses: convênio entre instituições (ou programa formal da universidade estrangeira), seguro-saúde, imunizações em dia, visto adequado, certificado de idioma e carteira de estudante (nos Estados Unidos, a experiência clínica de estudantes costuma passar pelo ECFMG e por plataformas de documentação como a VSLO). Custos, em geral, são do estudante. O limite ético é inegociável: estudante de medicina observa e assiste sob supervisão, não substitui o médico local; praticar além do escopo em serviço estrangeiro é infração ética e jurídica.
1.FundamentalSegundo as Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina vigentes, o internato do curso médico deve corresponder a qual proporção da carga horária total, organizada em estágio clínico e estágio cirúrgico?
2.IntermediárioEstudante de medicina brasileiro em eletivo internacional é convidado pelo serviço estrangeiro a executar, sozinho, punção venosa central em paciente instável, porque o residente local não chegou. A conduta correta é:
definição e início precoce · princípios da analgesia · degraus 1 a 3 com doses · dose de resgate · adjuvantes · dor neuropática e óssea
Cuidados paliativos são a abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e famílias diante de doenças que ameaçam a vida, pela prevenção e alívio do sofrimento — identificação precoce, avaliação rigorosa e tratamento da dor e de problemas físicos, psicossociais e espirituais. Três pontos que a prova cobra: não exigem prognóstico de semanas (iniciam-se junto ao diagnóstico, em paralelo ao tratamento modificador da doença); são prestados por equipe multiprofissional (médico, enfermagem, psicologia, assistência social, fisioterapia, nutrição, capelania); e melhoram desfechos objetivos — no câncer de pulmão metastático, paliativos precoces associados ao tratamento oncológico aumentaram qualidade de vida, reduziram depressão e aumentaram a sobrevida mediana (11,6 vs 8,9 meses; Temel e cols., NEJM 2010). A revisão Cochrane de cuidados paliativos domiciliares mostra maior chance de morrer em casa e menor sobrecarga de luto dos cuidadores.
A analgesia oncológica obedece a cinco princípios: pela boca (via oral sempre que possível), pelo relógio (doses fixas programadas, não prn), pela escada (degrau conforme a intensidade), para o indivíduo (titulação individual, sem dose máxima de opioide puro enquanto a dor persiste e os efeitos adversos forem manejáveis) e com atenção aos detalhes (reavaliação sistemática, adjuvantes por mecanismo, manejo dos efeitos adversos desde a primeira prescrição).
| Degrau | Dor | Fármacos e doses de referência |
|---|---|---|
| Degrau 1 | leve (EVA 1–3) | dipirona 500–1.000 mg VO 6/6 h (máx 4 g/dia) · paracetamol 500–750 mg VO 6/6 h (máx 3–4 g/dia) · AINE para dor óssea/metaestática (ex.: ibuprofeno 400–600 mg 8/8 h) — atentar a disfunção renal, mielossupressão e sangramento |
| Degrau 2 | moderada (EVA 4–6) ou falha do degrau 1 | codeína 30–60 mg VO 4/4 h a 6/6 h (eficácia limitada; metabolismo variável via CYP2D6) · tramadol 50–100 mg VO 6/6 h (máx 400 mg/dia; risco de convulsão e síndrome serotoninérgica; reduzir em idosos e insuficiência renal) ± adjuvante |
| Degrau 3 | moderada a grave (EVA ≥ 7) ou dor que não cede | morfina VO 5–10 mg 4/4 h (início) · oxicodona 5–10 mg VO 4/4 h (ou 10–20 mg LP 12/12 h) · hidromorfona · fentanil transdérmico apenas após titulação estável · metadona (casos especiais) ± adjuvante |
A titulação usa morfina de liberação imediata (LI): dose fixa de 4/4 h mais dose de resgate igual a 1/6 da dose diária total (10–20%) para dor irruptiva. Regra prática de reavaliação em 24 a 48 h: se o paciente precisou de 3 ou mais resgates por dia, soma-se o consumo total de resgates, converte-se em dose fixa e aumenta-se 25 a 50% (não dobrar de uma vez). Estabilizada a dor, converte-se a DDT em formulação de liberação prolongada (LP) 12/12 h, mantendo o resgate de LI. Dor irruptiva é exacerbação transitória sobre dor de fundo controlada (tipicamente por movimento — dor incidente); seu tratamento é o resgate, e a profilaxia é antecipar eventos previsíveis.
| Mecanismo/clínica | Adjuvante e dose de referência | Nota de prova |
|---|---|---|
| Dor neuropática (queimadura, choque, alodínia) | gabapentina 300 mg/dia → titular até 900–3.600 mg/dia · pregabalina 75–150 mg 12/12 h (máx 600 mg/dia) · amitriptilina 10–25 mg à noite (titular até 75–150 mg) | opioides isolados controlam mal — sempre somar adjuvante; amitriptilina tem efeitos anticolinérgicos |
| Dor óssea metastática | AINE + dexametasona 4–8 mg/dia; bisfosfonatos ou denosumabe; radioterapia paliativa para lesão foco | corticoide melhora dor, náusea e apetite; não usar como analgésico crônico isolado |
| Dor por compressão/edema (plexo, hepática, hipertensão intracraniana) | dexametasona 4–16 mg/dia conforme o quadro | resposta rápida; titular para menor dose eficaz |
| Cólica visceral, secreções | antiespasmódico anticolinérgico (ex.: butilbrometo de escopolamina) | evitar anticolinérgico em glaucoma de ângulo fechado |
1.IntermediárioMulher, 58 anos, câncer de mama metastático, dor óssea em coluna e quadril com intensidade 8/10, ainda em tramadol 100 mg 6/6 h, sem efeitos adversos. A conduta correta é:
2.AvançadoPaciente com dor oncológica em morfina de liberação prolongada 60 mg VO 12/12 h usa 3 resgates de morfina 20 mg em 24 h, com dor controlada entre eles. Qual o ajuste correto?
equipotência e DEM · tabela de equivalências · rotação de opioides · efeitos adversos e manejo · naloxona titulada · metadona e fentanil
Todas as conversões entre opioides passam pela dose equivalente de morfina (DEM): soma-se a dose diária total do opioide atual, converte-se para DEM pela tabela e aplica-se o novo fármaco com margem de segurança, reduzindo 25 a 50% do valor calculado na rotação — a variabilidade interindividual da resposta é grande e as tabelas são ponto de partida, não destino. A via oral é a régua: 30 mg de morfina VO equivalem a 10 mg de morfina IM, SC ou IV (razão 3:1).
| Equivalência analgésica (dor oncológica, adulto) | Razão/memo |
|---|---|
| Morfina VO 30 mg ≈ morfina SC/IM/IV 10 mg | 3:1 — a base de todas as conversões |
| Morfina VO 30 mg ≈ oxicodona VO 15–20 mg | oxicodona é 1,5–2× mais potente por via oral |
| Morfina VO 30 mg ≈ hidromorfona VO 6–8 mg | hidromorfona ≈ 4–5× mais potente por via oral |
| Fentanil transdérmico 25 mcg/h ≈ morfina VO 60–90 mg/dia | converter com DDT estável; titulado, só depois |
| Codeína VO ≈ 200 mg ≈ morfina VO 30 mg | aproximado; metabolismo CYP2D6 variável limita a codeína |
| Efeito | Tolerância | Manejo padrão |
|---|---|---|
| Constipação | NÃO gera tolerância — persiste no tratamento todo | laxante estimulante (sene) ± osmótico (lactulose) desde o início; revisar se fecaloma |
| Náusea e vômito | sim — dias a 1–2 semanas | metoclopramida ou antiemético nos primeiros dias; persistindo, considerar rotação |
| Sedação inicial | sim — 3 a 5 dias | orientar; reavaliar causas associadas (benzodiazepínicos, hipercapnia) antes de reduzir dose |
| Prurido e rubor (liberação de histamina) | parcial | anti-histamínico; persistindo, rotação de opioide |
| Retenção urinária, miose, boca seca | variável | sintomático; miose persiste sem significar intoxicação |
| Depressão respiratória | com titulação cuidadosa é rara | FR < 10/min ou sedação profunda → naloxona DILUÍDA e titulada (ver fluxo) |
Indica-se rotação quando há efeito adverso não controlado (ex.: sedação, alucinação), dor não controlada apesar de titulação adequada, impossibilidade da via atual ou custo/acesso. Passos: calcular a DDT em DEM, escolher o novo opioide pela tabela, reduzir 25 a 50% por margem de segurança, manter resgate de morfina LI (ou do novo opioide) e retitular. O fentanil transdérmico é exemplo prático: converte-se a DDT de morfina oral (25 mcg/h ≈ 60–90 mg/dia), escolhe-se o patch imediatamente superior, troca-se o adesivo a cada 72 h e mantém-se resgate oral — nunca usar patch como estreia, pois a absorção lenta impede titulação segura. A metadona é o opioide da rotação difícil: agonista μ com ação adicional no receptor NMDA (útil em dor neuropática), meia-vida longa e variável (8–59 h) e conversão NÃO linear — a razão morfina:metadona aumenta conforme a dose de morfina cresce, e é exatamente aí que a banca aplica o caso de superdosagem na conversão de altas doses. Inicia-se baixo e devagar (ex.: 2,5–5 mg VO 8/8 h, com supervisão experiente), monitorando sedação e intervalo QT.
1.FundamentalPaciente em uso de morfina 30 mg VO a cada 4 h precisará trocar para via subcutânea por disfagia progressiva. Qual a dose equivalente subcutânea por 4 h?
2.Prova difícilHomem em morfina oral há 3 dias evolui com sonolência leve e FR de 7/min, responsivo apenas a estímulos dolorosos. A conduta correta é:
o que é má notícia · os 6 passos do SPIKES · resposta empática (NURS) · bloqueios de comunicação · verdade, família e registro
Má notícia é toda informação que altera de forma grave e negativa a visão que o paciente tem do futuro (Buckman) — o diagnóstico de câncer, a recidiva, a progressão, a necessidade de cuidados paliativos exclusivos. Comunicação de más notícias é procedimento clínico treinável, com as mesmas exigências de um procedimento invasivo: preparo, técnica, manejo de complicações e registro. A literatura mostra que boa comunicação reduz ansiedade e depressão, melhora a adesão e a memória da informação e diminui o sofrimento da equipe; a má comunicação é fonte de queixas e processos mesmo quando a técnica médica foi impecável.
| Passo | Nome | Ações-chave |
|---|---|---|
| S | Setting (preparar) | local privado, sentar-se à altura dos olhos, envolver pessoas-chave que o paciente queira, desligar interrupções, ter papel e tecido à mão, reservar tempo |
| P | Perception (percepção) | descobrir o que o paciente já sabe/entende: “o que você entendeu até agora da sua doença?” — calibra o quanto informar e revela negação |
| I | Invitation (convite) | perguntar quanto ele quer saber e quanto quer decidir; respeitar o direito de não saber e de delegar à família (registrar) |
| K | Knowledge (informar) | disparador de aviso (“tenho notícias difíceis”), linguagem simples sem jargão, informação em blocos pequenos, pausas, checar compreensão, não dar números falsos de prognóstico |
| E | Emotions (emoções) | identificar e acolher a reação emocional antes de prosseguir: pausa, nomear a emoção, resposta empática (NURS) |
| S | Strategy and Summary (estratégia) | resumir, definir plano com objetivos realistas e próximas etapas, nunca retirar a esperança (reorientar metas), checar dúvidas, agendar retorno |
Bloqueios que a banca enumera: mentira piedosa (não informar por proteger), falsa tranquilização (“vai ficar tudo bem”), mudança de assunto, jargão técnico, monopolizar a fala, antecipar toda a má notícia sem espaço de pausa, prognóstico em números absolutos falsos e a frase “não há mais nada a fazer” — que é falsa em qualquer cenário: sempre há alívio de sintomas, presença, cuidado espiritual e acompanhamento. A estratégia final (S) reorienta esperança: metas de conforto, presença de pessoas queridas, objetivos realistas — a esperança muda de objeto, não desaparece. A conversa se registra no prontuário: o que foi comunicado, como o paciente reagiu, decisões tomadas e plano — o registro protege o paciente e a equipe e garante continuidade.
1.FundamentalNa consulta de resultado, o médico começa perguntando: “antes de falar dos exames, o que o senhor já entendeu da sua doença até agora?” No protocolo SPIKES, essa conduta corresponde a qual passo?
2.IntermediárioMulher de 46 anos, capaz e lúcida, com diagnóstico recente de linfoma, pede para saber tudo. Os filhos adultos pedem ao médico, separadamente, que não revelem o diagnóstico “para não tirar a esperança dela”. A conduta correta é:
marco legal (CF, 8.080 e 8.142) · princípios e diretrizes · redes de atenção à saúde e linhas de cuidado · complexo regulador e Acesso Único · gestão pública e controle social
A Constituição de 1988 institui o Sistema Único de Saúde: saúde é direito de todos e dever do Estado (art. 196), com atendimento integral e prioridade às atividades preventivas; o art. 198 define as diretrizes — descentralização, com direção única em cada esfera de governo, atendimento integral e participação da comunidade. A Lei 8.080/1990 organiza o SUS em dois blocos: princípios doutrinários (universalidade, integralidade e equidade) e princípios organizativos (descentralização, regionalização, hierarquização e participação dos usuários). A Lei 8.142/1990 completa o marco com a participação social: conferências de saúde a cada 4 anos e conselhos paritários de saúde em cada esfera, com composição de 50% usuários, 25% trabalhadores e 25% gestores/prestadores.
| Princípio | O que significa | Erro de banca |
|---|---|---|
| Universalidade | todo cidadão tem direito ao atendimento | restringir acesso a contribuintes do INSS |
| Integralidade | ações de promoção, proteção e recuperação integradas | confundir com “atender tudo em qualquer porta” |
| Equidade | tratar desigualmente os desiguais (priorizar necessidades) | confundir com igualdade estrita de recursos |
| Descentralização | município como gestor local, direção única por esfera | acentrar decisões no estadual/federal |
| Regionalização e hierarquização | serviços organizados em região, por complexidade, com fluxos definidos | achar que hierarquia significa “APS não resolve nada” |
Redes de Atenção à Saúde (RAS) são arranjos poliárquicos de serviços, integrados por sistemas de apoio e logístico, organizados por região de saúde, com a Atenção Primária à Saúde como centro de comunicação e coordenadora do cuidado (Decreto 7.508/2011; Portaria GM/MS 4.279/2010). Componentes: APS; atenção ambulatorial especializada e hospitalar; urgência e emergência; apoio diagnóstico e terapêutico; assistência farmacêutica. O modelo de atenção define como esses componentes funcionam: o modelo biomédico centrado na doença e na porta hospitalar gera filas e internações evitáveis; o modelo de atenção integral organiza a rede por linhas de cuidado — fluxos verticais por condição (materno-infantil, crônicos como diabetes e hipertensão, saúde mental — RAPS/CAPS, câncer — via rápida de diagnóstico, idoso, reabilitação — CER, urgência — SAMU 192, UPA 24 h, salas de estabilização e hospitais de referência certificados). A APS assume quatro papéis clássicos: porta de entrada preferencial, responsabilidade sanitária pelo território, longitudinalidade do cuidado e coordenação (com referência e CONTRA-referência).
| Função | O que regula | Exemplo de prova |
|---|---|---|
| Regulação do acesso | autorização, programação e agendamento de consultas, exames, internações e procedimentos de média e alta complexidade; TFD (Tratamento Fora do Domicílio) | fila única regionalizada acompanhada pelo usuário no Acesso Único (sistema nacional de regulação do SUS) |
| Regulação assistencial | gestão em tempo real da rede: leitos, transferências entre serviços, fluxos de urgência | central estadual redistribui leito de UTI entre municípios da região |
| Regulação de sistemas | controle, avaliação e auditoria dos serviços e dos repasses | auditoria do SUS aponta irregularidade em hospital contratualizado |
O gestor de saúde é administrador público: obedece aos princípios do art. 37 da Constituição (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência), contrata por licitação (nova Lei de Licitações e Contratos, Lei 14.133/2021) e presta contas. A gestão é tripartite: União, estados e municípios articulam-se em comissões intergestores (CIT e CIB), que pactuam a programação da rede; o financiamento flui por repasses fundo a fundo, com blocos de custeio, e a auditoria do SUS (regulação de sistemas) verifica a correspondência entre o que foi pago e o que foi feito. Instrumentos de planejamento: plano de saúde de cada esfera, programação pactuada e integrada (PPI) e contratos organizativos da ação pública de saúde (COAP) na região.
1.IntermediárioSobre a participação social no SUS, prevista na Lei 8.142/1990, é correto afirmar:
2.AvançadoNa madrugada, um hospital da rede estadual solicita leito de UTI para paciente com insuficiência respiratória; a central redistribui um leito de outro município da região e organiza a transferência. Qual função do complexo regulador está sendo exercida?
erro médico: imprudência, negligência e imperícia · responsabilidade ética, civil e penal · obrigação de meio × resultado · prontuário como defesa · eventos adversos e disclosure
Responsabilidade profissional do médico é o conjunto de deveres perante paciente e sociedade, com sanções em três esferas independentes: ética (CRM — advertência a cassação), civil (indenização por dano) e penal (infrações do Código Penal). A base da imputação é a culpa, em suas três formas: imprudência é agir sem cautela (decidir apressadamente), negligência é omitir o cuidado devido (não examinar, não solicitar exame indicado, não acompanhar), imperícia é faltar habilidade técnica exigível (executar procedimento que não domina). Culpa consciente é prever o dano e confiar que não ocorrerá; dolo eventual é prever e ASSUMIR o risco — a fronteira decide se há crime culposo ou doloso. Erro inevitável, complicações informadas no consentimento e intercorrências previsíveis do próprio agravo não geram responsabilidade quando a conduta seguiu o padrão de cuidado.
| Conceito | Definição | Exemplo típico de prova |
|---|---|---|
| Evento adverso | dano causado pelo cuidado, não pela doença | infecção de sonda venosa central mal manipulada |
| Quase-incidente (near miss) | erro detectado antes de alcançar o paciente | farmácia bloqueia dose 10× maior antes da dispensa |
| Erro de medicação | falta em qualquer etapa (prescrição, transcrição, dispensa, administração) | dose 10× por confusão de diluição; os “certos” (paciente, fármaco, dose, via, hora) evitam |
| Complicação informada | desfecho adverso previsível e aceito no consentimento | sangramento pós-operatório em cirurgia de alto risco, informado e conduzido |
| Erro inevitável | dano que não seria evitado pelo padrão de cuidado aplicado | reação anafilática idiossincrática a fármaco sem exposição prévia conhecida |
| Esfera | Regime | Pontos de prova |
|---|---|---|
| Ética (CRM) | processo ético-profissional; penas de advertência, censuras, suspensão até 30 dias e cassação; sem multa; pretensão punitiva prescreve em 5 anos do conhecimento do fato pelo CRM | independência das instâncias: absolvição penal não impede punição ética |
| Civil (indenização) | 4 elementos: conduta, culpa, nexo causal, dano; médico pessoa física responde por CULPA (subjetivo — CC art. 951); hospital e operadora respondem objetivamente (CDC; Súmulas 339 e 340 do STJ); cirurgia estética embellezativa aproxima-se da obrigação de resultado | inversão do ônus da prova (CDC art. 6º, VIII) não dispensa o paciente de provar dano e nexo, nem converte a culpa do profissional em objetiva |
| Penal | homicídio culposo (CP art. 121 §3º — detenção 1 a 3 anos, +1/3 com omissão de socorro ou fuga), lesão corporal culposa (art. 129 §6º — detenção 2 meses a 1 ano), omissão de socorro (art. 135 — detenção 1 a 6 meses ou multa; triplicada se resulta morte), violação de sigilo (art. 154), falta de notificação compulsória (art. 269 — detenção 6 meses a 2 anos e multa), atestado falso (art. 302) | prescrição penal segue a pena máxima em concreto (art. 109 do CP) — em regra 2 a 4 anos nas figuras culposas típicas |
O estudo de Harvard Medical Practice Study (Brennan e cols., NEJM 1991) encontrou eventos adversos em 3,7% das internações hospitalares, com proporção relevante de lesões evitáveis — o trabalho que originou o movimento de segurança do paciente (e, depois, o “To Err is Human” do Instituto de Medicina, com estimativa de dezenas de milhares de mortes hospitalares por eventos evitáveis por ano nos Estados Unidos). A resposta moderna é sistêmica: notificação não punitiva de incidentes, protocolos (cirurgia segura, higiene de mãos, conciliação de medicamentos) e cultura justa. No dano consumado, a conduta obrigatória é o disclosure: comunicar o fato ao paciente/família com transparência — o que aconteceu, o que será feito, como se evitará a repetição — e pedir desculpas pelo sofrimento. Gallagher e cols. (JAMA 2003) mostraram que pacientes e médicos apoiam majoritariamente a divulgação completa, mas as práticas reais ficam aquém. Desculpas e explicação não são confissão de culpa nem renúncia de defesa; o que corrompe a defesa é o registro especulativo no prontuário (“errei a dose” escrito antes da apuração) e a anotação retroativa — o prontuário deve conter o fato técnico objetivo e contemporâneo.
1.IntermediárioMédico de pronto-socorro atende homem com trauma em mão por corte e, sem realizar exame neurológico do membro nem testar sensibilidade, alta o paciente com “lesão cortante”. O paciente evolui com lesão de tendão extensor não diagnosticada. A falha descrita configura:
2.Prova difícilPaciente processa hospital e médico contratado por dano decorrente de infecção hospitalar grave após cirurgia, alegando falha de técnica asséptica individual e falha de processos institucionais. Sobre o regime de responsabilidade:
origem e conceito (Harden, 1975) · estrutura em estações · paciente padronizado · checklist e escala global · confiabilidade e número de estações · como treinar
A OSCE (Objective Structured Clinical Examination) é o método de avaliação de competência clínica em que candidatos rotacionam por uma série de estações padronizadas, cada uma com tarefa definida, tempo fixo, material padronizado e critérios objetivos de escore. Foi proposta por Harden e colaboradores (BMJ, 1975) para resolver os vieses do exame clínico tradicional (longa discussão de um único caso, avaliador único, variabilidade interexaminador): na OSCE, o que varia é o candidato, não o caso — cada estação é o mesmo teste para todos. Avalia o que o examinado faz (observável), não o que diz que faria; por isso é o formato padrão de avaliações de habilidades clínicas e comunicação nas escolas médicas e em programas de residência.
| Componente | Descrição | O que a banca cobra |
|---|---|---|
| Estações | de 5 a 10 minutos; tipos: anamnese focada, exame físico em simulador/manequim, comunicação (ex.: SPIKES), procedimentos, interpretação de exames, estação de descanso | o candidato recebe CARTÃO com a tarefa exata — ler antes de agir |
| Paciente padronizado | ator treinado com caso roteirizado e reprodutível (ou simulador de alta fidelidade) | garante que todos os candidatos enfrentem o mesmo caso — objetividade |
| Escore | checklist analítico de itens observáveis + escala global do examinador (global rating) | a escala global captura competência geral; o checklist, itens específicos |
| Examinador | fixo na estação, com roteiro e treinamento; às vezes duplo avaliador | padronização reduz viés do avaliador — princípio central do método |
| Número de estações | mais estações curtas superam menos estações longas | a confiabilidade cresce com o número de estações/amostras de competência |
1.FundamentalSobre a estrutura da OSCE (Objective Structured Clinical Examination), é correto afirmar:
2.IntermediárioUma escola médica quer aumentar a confiabilidade de sua OSCE. Com base na literatura de avaliação clínica, a mudança com maior efeito é:
panorama do sistema brasileiro (edital institucional e estadual — AMRIGS, USP, UNIFESP) · estrutura das provas e prova de títulos · revisão espaçada e prática de recuperação · simulados e plano do 6º ano
O acesso à residência médica no Brasil é por processo seletivo próprio de cada programa, organizado por editais: institucionais (universidades como USP e UNIFESP, hospitais de ensino) ou agregados estaduais (ex.: AMRIGS, que organiza prova conjunta para programas do Rio Grande do Sul; e consórcios como o SUS-SP, na capital paulista). As provas variam em formato e data por instituição e por ano, mas o padrão é: prova teórica objetiva de conhecimentos (na casa de 100 a 200 questões) com predominância do núcleo clínico (clínica médica, cirurgia geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia, preventiva/saúde coletiva), e componentes adicionais em muitos programas — prova de títulos (especialização, mestrado e doutorado, publicações, atividades de docência, PROVAB) e, em parte dos editais, entrevista ou avaliação de habilidades. O número de alternativas por questão e a regra de correção (com ou sem penalização de erro) variam por banca — ler o edital completo, com datas, documentos e critérios de desempate, é obrigação do candidato e material de prova recorrente.
| Componente do edital | O que é | Nota prática |
|---|---|---|
| Prova teórica objetiva | questões de conhecimentos clínicos, com pesos por disciplina definidos no edital | o núcleo clínico domina; interpretar casos vale mais que decoreba isolada |
| Prova de títulos | pontua formação complementar e produção (especialização, mestrado/doutorado, artigos, docência) | montar o Lattes e conferir a tabela de pontos do edital no início do 6º ano |
| Entrevista/habilidades | presente em parte dos programas; pode incluir OSCE ou discussão de caso | varia muito por instituição — nunca presumir formato sem ler o edital |
| Datas e matrícula | inscrições e provas concentradas tipicamente no 2º semestre do 6º ano, com matrícula no ano seguinte | montar planilha pessoal de editais-alvo com datas e taxas |
Duas descobertas consistentes da psicologia cognitiva organizam o estudo de quem já tem a base clínica do internato: o efeito de espaçamento — a mesma carga de estudo distribuída em sessões espaçadas no tempo produz retenção muito maior que sessões aglutinadas (Cepeda e cols., Psychological Bulletin 2006) — e a prática de recuperação — recuperar informação da memória por meio de testes fortalece o traço de memória mais que reler ou grifar (Roediger e Karpicke, Psychological Science 2006). A tradução prática: questões comentadas diárias (recuperação + feedback), fichas e resumos revisados em intervalos crescentes (1, 3, 7, 30 dias) e caderno de erros revisitado semanalmente. Reler apostila sublinhada tem a pior relação esforço/retenção — é o distrator clássico de qualquer questão sobre métodos de estudo.
| Método | Evidência | Como aplicar |
|---|---|---|
| Revisão espaçada | Cepeda e cols., 2006 — síntese quantitativa do efeito de distribuir a prática | revisar cada tema em intervalos crescentes (ex.: 1, 3, 7, 30 dias) por fichas ou aplicativos de repetição espaçada |
| Prática de recuperação | Roediger e Karpicke, 2006 — testar melhora a retenção de longo prazo | bater 30–50 questões comentadas por dia; responder ANTES de ler o comentário |
| Simulados cronometrados | treino de raciocínio sob tempo e gestão de ansiedade | simulados parciais semanais e completos mensais, no horário real da prova |
| Caderno de erros | converte erro em conteúdo | registrar questão, alternativa errada, o porquê do erro e o tema; revisar semanalmente |
| Questões antigas da banca-alvo | padrão de enunciado e profundidade | resolver provas anteriores dos editais-alvo com gabarito comentado |
Fase 1 — consolidação (primeiros meses do 6º ano): ciclo de conteúdo por disciplina do núcleo clínico com questões diárias; aproveitar o internato como material de estudo (paciente visto no rodízio é o caso da prova). Fase 2 — simulados: simulados parciais semanais e completos mensais, cronometrados, com análise de erros por tema; proporção típica da rotina de 60 a 70% de prática de questões e 30 a 40% de leitura dirigida. Fase 3 — véspera (últimas semanas): parar de abrir conteúdo novo; revisão espaçada das fichas e do caderno de erros, provas anteriores da banca-alvo e descanso programado. Na prova: leitura do comando real da questão (“conduta inicial”, “diagnóstico mais provável”, “exceção”), eliminação de alternativas extremas, tempo médio de 1 a 2 minutos por questão conforme o edital, marcar e voltar quando travar.
1.IntermediárioUm intern precisa decidir como distribuir 10 horas de estudo de um tema para retenção a longo prazo. Com base na evidência sobre aprendizagem, a melhor estratégia é:
2.FundamentalSobre a organização das provas de residência médica no Brasil, é correto afirmar:
Lattes e títulos · cartas de recomendação · entrevista · papel do R1 e jornada legal · sono e fadiga · burnout · PROVAB e serviço rural
A plataforma Lattes (CNPq) é o currículo padrão dos processos seletivos brasileiros: deve estar completo e atualizado (formação, experiência profissional, produção científica com dados bibliográficos completos, atividades de ensino, idiomas) e coerente com os documentos apresentados na prova de títulos — divergências entre Lattes e certificados geram desclassificação. Cartas de recomendação são solicitadas a preceptores que acompanharam o candidato de perto, com antecedência de 2 a 4 semanas, fornecendo CV atualizado e o programa-alvo; em editais que as exigem, seguem modelo e canal definidos (comumente enviadas pelo próprio remetente, sem passar pelo candidato). Produção e atividades do eletivo (casos apresentados, temas ministrados) entram no Lattes com data e descrição — o registro contínuo durante o internato vale mais que a reconstrução na véspera.
A entrevista avalia comunicação, maturidade e aderência ao programa. Preparação mínima: revisar o próprio currículo (tudo o que está lá pode virar pergunta), conhecer o programa (corpo clínico, rodízios, exigência de tese, produção) e treinar respostas estruturadas — situação, ação, resultado — para perguntas clássicas: por que esta especialidade, por que este programa, pontos fortes e fracos com plano de melhoria, caso difícil e conflito com equipe. Conduta: pontualidade, vestimenta adequada, respeito a todos os funcionários (a avaliação começa na recepção) e honestidade — inventar produção ou experiência é eliminação. Ter perguntas próprias para o entrevistador (supervisão, rodízios, tese) demonstra engajamento.
| Dimensão | Internato (6º ano) | Residência (R1) |
|---|---|---|
| Papel | estudante em estágio supervisionado | médico residente com responsabilidade profissional plena sobre atos supervisionados |
| Registro | matrícula acadêmica | contrato de residência (CNRM) e registro no CRM do local |
| Jornada | rodízios com carga acadêmica | 60 h semanais incluindo plantões; plantão de até 24 h + 6 h de descanso (Lei 6.932/1981); bolsa nacional definida em lei (Lei 13.265/2016) |
| Supervisão | preceptor responsável por cada ato | supervisão escalonada: R1 com preceptor/tutor sempre acessível — autonomia crescente com responsabilidade documentada |
| Aprendizado | competências básicas | especialização estruturada, com avaliação, portfólio e pesquisa |
A fadiga é risco clínico mensurável: Dawson e Reid (Nature, 1997) demonstraram que 17 horas de vigília contínua produzem déficit cognitivo-motor equivalente a alcoolemia de 0,05%, e 24 horas equivalem a cerca de 0,10% — patamar de dirigir proibido na maior parte do mundo. Estratégias práticas: soneca pré-plantão, banco de sono (dormir além da necessidade nos dias livres), higiene do sono e regra de não dirigir após plantão. Burnout é síndrome de três dimensões (Maslach): exaustão emocional, cinismo/despersonalização e queda da realização profissional — fenômeno ocupacional na CID-11 e frequente entre residentes (Maslach e Leiter, World Psychiatry 2016). Sinais de alarme: cinismo novo, queda de empatia, erros incomuns, insônia persistente. A conduta correta é precoce: procurar apoio institucional e pares, ajustar carga e sono — buscar cuidado não é falta ética; ocultar agravo que compromete o cuidado é que põe o paciente e a carreira em risco.
O PROVAB (Programa de Valorização da Formação do Médico para Atuação na Atenção Básica, Lei 12.711/2012) oferece bolsa para 1 ano de trabalho em Unidade Básica de Saúde prioritária, com tutoria e avaliação. Benefícios de prova: bonificação prevista em lei para os processos seletivos de residência em Medicina de Família e Comunidade (aplicada conforme o edital) e certificação de área de atuação em MFC após aprovação na avaliação final, conforme a lei. Para vagas em locais de difícil provimento, o sistema brasileiro mantém programas de provimento emergencial de médicos (herdeiros do Mais Médicos, instituído pela Lei 12.871/2013). O serviço rural bem escolhido entrega o que nenhum eletivo dá: responsabilidade ampla, procedimentos, conhecimento da rede real e experiência de APS — perfil cada vez mais valorizado em editais de residência e de contratação.
1.IntermediárioSobre a jornada de trabalho do médico residente no Brasil, é correto afirmar:
2.AvançadoR1 está acordado há cerca de 17 horas consecutivas durante plantão e precisa interpretar exames e tomar decisões. Com base na evidência de Dawson e Reid (Nature, 1997), o desempenho cognitivo-motor nesse momento é comparável ao de uma alcoolemia de aproximadamente:
Para a véspera: as doses, as regras do sistema brasileiro e as pegadinhas que decidem a prova
| Módulo | A essência | Maior incidência |
|---|---|---|
| 01 Eletivos e externato | Eletivo é escolha orientada a objetivo (núcleo da prova + especialidade + habilidade + carreira), com contrato de aprendizagem e registro; intercâmbio exige convênio e mantém o escopo de estudante. | Internato = 30% da carga (DCN); escopo do estudante no exterior |
| 02 Paliativos e escada da OMS | Pela boca, pelo relógio, pela escada, individual, detalhes; morfina 5–10 mg VO 4/4 h no degrau 3; resgate 1/6 da DDT; adjuvante por mecanismo. | Dor grave entra direto na morfina; Temel 2010 (paliativos precoces) |
| 03 Opioides na prática | Morfina VO 30 mg ≈ SC 10 mg (3:1); fentanil TD 25 mcg/h ≈ 60–90 mg/dia VO; constipação sem tolerância; naloxona diluída e titulada; metadona de conversão não linear. | Equivalências e manejo dos efeitos adversos |
| 04 SPIKES | Setting · Perception · Invitation · Knowledge · Emotions · Strategy; informar em blocos com aviso prévio; responder emoção com NURS; titular da informação é o paciente. | P antes de K; família não autoriza ocultação (CEM art. 34) |
| 05 Gestão e redes do SUS | CF 196–200 + Leis 8.080/1990 e 8.142/1990; RAS com APS coordenadora; complexo regulador em acesso, assistencial e sistemas; fila única no Acesso Único. | Conselhos 50% usuários; contra-referência fecha a rede |
| 06 Medicina legal | Três esferas independentes; culpa em imprudência/negligência/imperícia; médico subjetivo, hospital objetivo; prontuário é a defesa; disclosure é dever. | CP 121 §3º (1–3 anos); Harvard 3,7%; Súmulas 339/340 STJ |
| 07 OSCE | Estações padronizadas, tempo fixo, pacientes padronizados, checklist + escala global (Harden 1975); confiabilidade cresce com o número de estações. | Ler o cartão; rotina de entrada (apresentação, consentimento, mãos) |
| 08 Prova de residência | Edital manda: prova teórica (≈100–200 questões, núcleo clínico) + títulos ± entrevista; estudar com espaçamento (Cepeda) e recuperação (Roediger), simulados e caderno de erros. | Regra 1-3-7-30; reler/grifar é o distrator clássico |
| 09 Currículo e transição | Lattes e cartas com antecedência; R1 tem jornada de 60 h e plantão 24+6 (Lei 6.932/1981); vigília 17 h ≈ 0,05% (Dawson e Reid); burnout E-C-R; PROVAB (Lei 12.711/2012). | Jornada legal; equivalência vigília-álcool; 3 dimensões de Maslach |
| Tema | Número |
|---|---|
| Internato (DCN 2014) | 30% da carga total do curso — estágio clínico + cirúrgico |
| Escada da OMS | 3 degraus (1986; guia atualizado 2018) — controle em 70–90% |
| Dipirona / paracetamol | 500–1.000 mg 6/6 h (máx 4 g/dia) / 500–750 mg 6/6 h (máx 3–4 g/dia) |
| Tramadol | 50–100 mg VO 6/6 h — máx 400 mg/dia; reduzir em idosos/renal |
| Morfina inicial | 5–10 mg VO 4/4 h + resgate = 1/6 da DDT (10–20%) |
| Reajuste da dose | ≥ 3 resgates/dia → aumentar dose fixa 25–50%; estabilizou → LP 12/12 h |
| Morfina VO : SC/IM/IV | 3:1 — 30 mg VO ≈ 10 mg parenteral |
| Fentanil TD | 25 mcg/h ≈ 60–90 mg/dia de morfina VO — nunca na titulação inicial |
| Naloxona | 0,4 mg em 10 mL de SF → 0,04 mg IV a cada 1–2 min até FR ≥ 10 |
| Metadona | meia-vida 8–59 h; conversão não linear; acúmulo nos dias 3–7; monitorar QTc |
| SPIKES | 6 passos (Baile, The Oncologist 2000); NURS para a emoção |
| Harvard Medical Practice Study | eventos adversos em 3,7% das internações (Brennan 1991) |
| CP art. 121 §3º | homicídio culposo: detenção 1–3 anos; +1/3 com omissão de socorro/fuga |
| Prontuário | guarda 20 anos (Res. CFM 1.821/2007) |
| OSCE | Harden 1975; ~1 h de teste em estações curtas para confiabilidade aceitável |
| Residência (Lei 6.932/1981) | 60 h/semana com plantões; plantão ≤ 24 h + 6 h de descanso |
| Vigília × álcool | 17 h ≈ 0,05%; 24 h ≈ 0,10% (Dawson e Reid 1997) |
| PROVAB | Lei 12.711/2012 — 1 ano em APS prioritária, bonificação para residência em MFC |
| Conselhos de saúde | 50% usuários + 25% trabalhadores + 25% gestores/prestadores (Lei 8.142/1990) |
| Macete | Regra |
|---|---|
| Princípios da OMS | pela boca, pelo relógio, pela escada, para o indivíduo, com atenção aos detalhes. |
| Resgate = 1/6 da DDT | e ≥ 3 resgates/dia → somar consumo e aumentar a dose fixa 25–50%. |
| 3:1 da morfina | 30 mg VO = 10 mg SC/IM/IV; patch 25 mcg/h ≈ 60–90 mg/dia VO. |
| Tolerância dos opioides | gera para náusea/sedação; NÃO gera para constipação (nem miose) — laxante desde o início. |
| I-I-N da culpa | Imprudência AGE · Negligência OMITE · Imperícia NÃO SABE. |
| SPIKES | Setting · Perception · Invitation · Knowledge · Emotions · Strategy — e NURS para a emoção. |
| Complexo regulador A-A-S | Acesso (filas/TFD) · Assistencial (leito em tempo real) · Sistemas (auditoria). |
| ABC da estação OSCE | Alvo (ler o cartão) · Bem-vindo (apresentar/consentir/mãos) · Cronômetro (fechar com resumo). |
| Regra 1-3-7-30 | revisão espaçada com recuperação ativa — reler é o último recurso. |
| Burnout E-C-R | Exaustão · Cinismo · Redução da realização — os três juntos definem (Maslach). |
| Se a questão diz… | Pense em… |
|---|---|
| Dor óssea metastática em EVA 8 em tramadol | Degrau 3 direto: morfina 5–10 mg VO 4/4 h + resgate + laxante (± AINE/dexametasona) |
| Paciente em morfina LP 120 mg/dia com 3 resgates/dia | Somar consumo e aumentar dose fixa 25–50% |
| FR 7/min e sedação em opioide | Naloxona diluída e titulada (0,04 mg a cada 1–2 min) — nunca ampola inteira |
| “É câncer, doutor?” | SPIKES: perceber o que sabe (P), perguntar quanto quer saber (I), informar em blocos (K) |
| Família pede para ocultar diagnóstico de paciente capaz | Vedado — informar o paciente com graduação (CEM art. 34) |
| Conselho de saúde: composição | 50% usuários, 25% trabalhadores, 25% gestores/prestadores (Lei 8.142/1990) |
| Central redistribui leito de UTI na madrugada | Regulação assistencial (complexo regulador) |
| Alta sem exame de sensibilidade em trauma de mão | Negligência (omite o cuidado devido) |
| Infecção hospitalar: médico × hospital | Médico subjetivo (culpa); hospital objetivo (CDC; Súmulas 339/340 STJ) |
| Método de estudo para retenção a longo prazo | Recuperação ativa com espaçamento (Roediger 2006; Cepeda 2006) |
| R1 há 17 h acordado interpretando exames | Desempenho ≈ alcoolemia de 0,05% (Dawson e Reid 1997) |
| Cinismo + exaustão + queda de realização no R2 | Burnout — 3 dimensões de Maslach; buscar apoio não é infração |
1.FundamentalHomem, 66 anos, câncer de pulmão avançado, dor de intensidade 9/10, sem uso prévio de opioide, sem disfunção orgânica grave. A prescrição inicial correta é:
2.IntermediárioPaciente em morfina de liberação prolongada 60 mg VO 12/12 h, com dor de fundo controlada, usa 3 resgates de 20 mg de morfina de liberação imediata em 24 h. O ajuste correto da dose fixa é:
3.IntermediárioEm consulta de resultado, o médico anuncia: “sinto muito, tenho uma notícia difícil”, e após pausa explica o diagnóstico em linguagem simples, em pequenos blocos, checando a compreensão a cada etapa. No protocolo SPIKES, essa conduta corresponde ao passo:
4.Prova difícilPaciente de 50 anos, capaz e lúcido, pergunta diretamente o resultado da biópsia; os filhos pediram, em conversa separada, que o diagnóstico de neoplasia não fosse revelado. A conduta correta é:
5.AvançadoPaciente da APS precisa de consulta com cirurgião de coluna e exame de imagem de alta complexidade disponíveis apenas na capital; a solicitação protocolizada da unidade entra na central, que prioriza pelo critério clínico e autoriza também o deslocamento pelo TFD. Qual função do complexo regulador foi exercida?
6.IntermediárioMédico recém-formado é escalado para realizar drenagem de abscesso, procedimento que nunca executou sequer observado, e evolui com lesão vascular relevante no paciente. A classificação da falha e o regime de responsabilidade civil do médico são:
7.FundamentalSobre a OSCE (exame clínico objetivo estruturado), é correto afirmar:
8.AvançadoR2 de clínica médica apresenta há 3 meses exaustão persistente, atitude cínica com os pacientes (“eles nunca melhoram mesmo”) e sentimento de que nada do que faz tem valor, com queda de desempenho documentada pela preceptoria. A síndrome e suas dimensões são:
1-C · 2-B · 3-D · 4-C · 5-B · 6-B · 7-B · 8-B
acesso de membros
Matérias, materiais na íntegra, resumos, quiz e revisões ficam liberados na sua conta — a prévia desfocada é só um gostinho.
Entrar e continuar